“Educomunicação é um campo de implementação de políticas de comunicação educativa, tendo como objetivo geral o planejamento, a criação e o desenvolvimento de ecossistemas educativos mediados por processos de comunicação e pelo uso das tecnologias da informação” *
Nos dias 28 e 29 de agosto, a Rede Salesiana de Escolas (RSE) promoveu o 1º Encontro de Educomunicação, no Retiro das Rosas, em Cachoeira do Campo-MG. O evento para o Polo BH, sob o tema “Ressignificando a Educomunicação na proposta educativa salesiana”, foi apresentado pela Ir. Maria Helena Moreira, diretora de comunicação e marketing da RSE. O estudo será realizado em 2010 nos demais polos da Rede.
Um dos pilares que dão sustentação às bases da RSE é a comunicação. Tal como o projeto pedagógico ou de pastoral, a frente comunicacional assume contornos ainda mais relevantes quando ganha a forma de Educomunicação. No encontro, que contou com a presença de 62 educadores, discutiu-se o conceito e a implantação da Educomunicação no projeto educativo da Rede.
Analisar a escola como parte integrante de um ecossistema comunicacional é uma defesa relevante no âmbito da Educomunicação, um novo campo de estudo na área educacional, nascido a partir da proeminência das novas frentes de comunicação e da tecnologia e suas mídias sociais. A construção de uma mensagem colaborativa, formada em rede e construída por inúmeras mãos, é ainda um processo novo, mas que se alinha harmoniosamente com o projeto pedagógico da RSE.
“O mundo já passou por muitas crises, a crise de hoje é uma crise de consciência” – a frase colocada em discussão no grupo de trabalho retrata uma inquietação que permeia o sistema educacional globalmente: qual é o futuro da escola? Qual é a postura correta do educador no momento presente? Trabalhar a educação de forma atemporal e ao mesmo tempo sistêmica é uma conjuntura que conduz às diretrizes da Educomunicação, na busca de respostas. “Baseado nos conceitos de rede e interdisciplinaridade, que olha para as várias áreas de conhecimento trabalhando de forma integradora, vai tornando-se cada vez mais um trabalho coletivo”, defende a Ir. Maria Helena Moreira. “Esse desenho é carregado de valores e princípios de Dom Bosco, na proposta de formar bons cristãos e honestos cidadãos”, argumenta.
Escola “aprendente”
As novas mídias, pela mediação tecnológica, são as vias por que o educador trafegará cada vez mais. No desenvolvimento do encontro, o grupo definiu a escola de hoje como uma organização “aprendente”. Novas linguagens, ambientes de interação, novas lógicas são desenhadas em uma virtualidade que transcende limites conceituais clássicos. Nesse ambiente, a evolução se dá por meio das relações interpessoais. O compromisso comunicacional na escola passa a ser de todos, não mais apenas do educador, e abrir-se para ouvir mais o que o aluno, a família dele e a sociedade têm a dizer torna-se premissa. “A importância de todos os atores que integram a escola vai tomando corpo, na medida em que se percebe a concreta formação desse ecossistema educacional.”
Ecossistema educacional
O desafio maior da missão educomunicativa é organizar a escola como um ecossistema comunicacional, em vista de um novo sujeito, com uma nova concepção de espaço, tempo e ação integradora, dentro do projeto educativo, pedagógico-pastoral da RSE. Outros desafios:
- entrar no âmbito da Educomunicação dentro da práxis do sistema salesiano;
- promover espaços de pesquisa e de elaboração em torno da cultura da comunicação;
- identificar campos de aplicação prática e estratégica para a animação no estilo do Sistema Preventivo;
- assumir a prática da comunicação como tema transversal;
- redefinição de papéis para que todos assumam suas responsabilidades.
Esses são, portanto, apenas alguns dos inúmeros desafios que o educador já enfrenta e que foram colocados em pauta, nesse primeiro encontro. “Trabalhar em equipe, por exemplo, as tendências de mercado nos alertam e mostram que a gente não consegue encontrar espaço com posturas rígidas ou centralizadoras”, define Ir. Maria Helena. “É preciso empenhar-nos na construção de relações harmoniosas e integradoras dos e com os professores. Não só do professor com você, pedagogo, mas trabalhar o processo de acompanhamento do professor com o aluno.”
O caminho a ser percorrido pelo educador e pela escola gera inquietações quando ainda não é possível enxergar o todo. Há uma mudança conceitual, em que o foco não é a matriz curricular, é o ser humano, e que diz respeito a competências comunicativas. E Ir. Maria Helena encerra: “Todos percebemos esses desafios e cabe a nós trabalhar essa conjuntura, trazendo-os para terreno cotidiano da escola”.
(*) A definição acima é do Prof. Ismar de Oliveira Soares, jornalista, professor titular da Universidade de São Paulo (USP). Ele defende que as frentes de educação e comunicação devem caminhar juntas. Para o professor, a Educomunicação visa a promover o acesso democrático dos cidadãos à produção e difusão da informação; identificar como o mundo é editado nos meios; facilitar o processo ensino-aprendizado por meio do uso criativo dos meios de comunicação, pelo caminho da tecnologia da informação e comunicação e da importância de ter acesso a esses novos meios. Soares defende ainda a importância de promover a expressão comunicativa dos membros da comunidade educativa.